Contar histórias é a mais antiga das artes. Nos velhos tempos, o povo se assentava ao redor do fogo para se esquentar, alegrar, conversar, contar casos. Pessoas que viviam longe da pátria contavam e repetiam histórias, para guardar suas tradições e sua língua.

    Contar histórias tornou-se uma profissão em vários países, como a Irlanda e a Índia. Com o avanço da imprensa, os jornais e livros se tornaram grandes agentes culturais dos povos. As fogueiras ficaram para trás. Os velhos contadores ficaram esquecidos.

    Mas as histórias se incorporaram definitivamente à nossa cultura. Ganharam as nossas casas, através da doce voz materna, das velhas babás e dos livros.

    Nas sociedades primitivas esta atividade não possuía uma finalidade exclusivamente artística: tinha um caráter funcional decisivo, pois os contadores eram os que conservavam e transmitiam a história e o conhecimento acumulado pelas gerações, as crenças, os mitos, os costumes e os valores a serem preservados pela comunidade.

    Durante séculos, foi através da realidade que a cultura popular se manteve sem pergaminhos ou iluminuras, mas na memória viva.

    Como atividade artística, com normas e técnicas passíveis de serem transmitidas a todos, a prática de contar histórias se desenvolveu no fim do século passado, sobretudo nos países nórdicos, anglo-saxões e ,posteriormente, nos latino-americanos.

(*) BARBOSA, Reni Tiago Pinheiro. Pontos para tecer um conto. Belo Horizonte: Lê,1997

O Papel da leitura nas oficinas

      A leitura é uma atividade permanente na condição humana, quer se tenha ou não consciência dela. Lemos o mundo desde que nascemos e nossas ações decorrem desta leitura.

       Nossa vida só é linguagem enquanto palavras que se comunicam, palavras que contam segredos, que se relacionam, assim como nós, criaturas humanas, somos na medida em que podemos contar sobre nossas impressões de leitura, e, nessa expressão, encontrar o outro, estabelecendo com ele e com o mundo uma comunicação.

      É só enquanto esse exercício de troca que a linguagem estabelece uma referência sobre o mundo, coerente para cada um de nós. E assim, a palavra vai construindo a memória dos povos, porque aproxima o desconhecido do conhecido e essa aproxim ção proporciona a alteração da visão de mundo.

      Neste sentido a OFICINA PARA FORMAÇÃO DE CONTADORES DE HIS ÓRIAS oferece elementos para que a memória possa exercer com continuidade esse processo de construção do saber: memorizar é um exercício de atualização do passado, de dar sentido ao passado, no presente. Ainda que um fato jamais possa ser recuperado, tenha ele acontecido há cinco minutos ou há cinqüenta anos, a emoção vivida diante do acontecido pode ser resgatada, e, com isso, muitas histórias/identidades podem ser construídas.

      Ao utilizar a matéria-prima literatura (oral, escrita, visual) para a sua formação, pode-se dizer, portanto, que os contadores de histórias, e, consequentemente, todos os envolvidos no processo estarão transformando a memória e o imagi ário em vida, porque a leitura passará a ser um território infinito para estar no mundo (texto/ autor), aprendê-lo, estabelecer com ele uma relação dialógica, criar com ele uma memória, desenhá-lo no relato.

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